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Como abrir MEI em 2026: tutorial completo do Gov.br ao CNPJ em 15 minutos, sem pagar nada

Como abrir MEI grátis em 2026: passo a passo no Gov.br, documentos necessários, CNAE e o que fazer depois do CNPJ. Tutorial completo.

Rodrigo Freitas

Rodrigo Freitas

Engenheiro (UNESP) · CPA-20 (ANBIMA) · Cofundador de fintech · 20+ anos em tecnologia financeira

Pessoa usando notebook no balcão de casa com formulário do Gov.br aberto na tela, teclando com uma mão e segurando celular na outra
15 minutos e zero reais: abrir MEI pelo Gov.br é mais rápido que pedir comida por app

Abrir MEI é grátis, online e leva menos de 15 minutos. Você acessa o Portal do Empreendedor, faz login com sua conta Gov.br (nível Prata ou Ouro), preenche dados pessoais, escolhe a atividade CNAE do seu negócio e pronto: CNPJ gerado na hora, com o certificado CCMEI para imprimir. Sem taxa, sem burocracia, sem precisar de contador. O Brasil já tem mais de 15,7 milhões de MEIs ativos (Ministério da Fazenda, 2025) — e você pode ser o próximo em cinco passos.

Quem pode ser MEI em 2026

Antes de abrir o Gov.br, confira se você se encaixa nos requisitos. Se falhar em qualquer um, o sistema vai barrar o cadastro.

Faturamento: até R$ 81.000 por ano, o que dá R$ 6.750 por mês na média. Se abrir o MEI no meio do ano, o limite é proporcional. Abriu em julho? Pode faturar R$ 40.500 até dezembro.

Funcionário: no máximo um, recebendo o salário mínimo ou o piso da categoria.

Sócio: zero. Você não pode ser sócio, titular ou administrador de outra empresa.

Atividade: precisa estar na lista oficial de atividades permitidas. São 467 ocupações em 2026 (Resolução CGSN 140/2018, Anexo XI). Profissões regulamentadas por conselho — médico, advogado, engenheiro, dentista, psicólogo — estão fora.

Idade: 18 anos completos. Menores de 16 a 17 podem abrir se forem legalmente emancipados.

Servidor público: federal, não pode em hipótese alguma. Estadual e municipal depende da legislação do órgão — alguns estados permitem, outros não.

Estrangeiro: pode ser MEI se tiver visto permanente ou provisório com autorização de trabalho. Turista, não.

Se você se encaixa em todos os critérios, o próximo passo é juntar os documentos.

Documentos necessários

A boa notícia: você não precisa digitalizar nada. O cadastro pede apenas informações que você digita no formulário. Mas tenha estes dados em mãos antes de começar:

  • CPF
  • RG (número e órgão emissor)
  • Título de eleitor ou número do recibo da última declaração de IRPF
  • CEP da residência e do local onde vai atuar
  • Telefone celular
  • E-mail válido

Não precisa de contrato social, certidão negativa, comprovante de endereço digitalizado nem nada disso. O Gov.br puxa seus dados automaticamente da Receita Federal e do TSE.

Se quiser saber mais sobre cada documento é por que o sistema pede, leia nosso guia de documentos para abrir MEI.

Passo a passo: do zero ao CNPJ

Infográfico com os 5 passos para abrir MEI em 2026: criar conta Gov.br, acessar portal, preencher dados, escolher CNAE e receber CNPJ — timeline de 0 a 15 minutos
Do primeiro clique ao CNPJ na mão: o processo inteiro cabe em 15 minutos

Passo 1 — Criar (ou validar) conta Gov.br

O formulário de formalização exige conta Gov.br nível Prata ou Ouro. Conta Bronze não funciona.

Para subir de nível, você tem três caminhos:

  1. Reconhecimento facial pelo app Gov.br — funciona se você tem CNH ou biometria cadastrada na Justiça Eleitoral.
  2. Válidação bancária — faça login pelo internet banking de um banco credenciado (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Santander, Caixa, entre outros).
  3. Certificado digital — se já tem um e-CPF, conecta direto no Gov.br e sobe para Ouro.

A validação por banco costuma ser a mais rápida. Leva menos de dois minutos.

Se você ainda não tem conta Gov.br, crie uma em gov.br. O cadastro inicial pede CPF, nome completo e um e-mail. Depois é só validar por um dos métodos acima para subir de Bronze para Prata.

Passo 2 — Acessar o Portal do Empreendedor

Entre em gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor. Clique em “Quero ser MEI” e depois em “Formalize-se”. O sistema vai pedir login — use o CPF e senha da conta que você acabou de validar.

Passo 3 — Preencher dados pessoais

O formulário pede:

  • Nome completo (puxado automaticamente do CPF)
  • Nome fantasia (opcional — pode ser o nome do seu negócio)
  • Capital social (pode colocar R$ 1,00 sem problema)
  • Número do RG e órgão emissor
  • Título de eleitor ou recibo do IRPF
  • Telefone e e-mail

Nada de upload de documento. Tudo digitado. O sistema válida os dados em tempo real com a base da Receita Federal.

Passo 4 — Escolher atividade e local de atuação

Aqui você seleciona o CNAE — o código da atividade econômica. O sistema permite 1 atividade principal e até 15 secundárias.

Dica: a atividade principal define o valor do seu DAS mensal. Comerciante paga R$ 82,05. Prestador de serviço, R$ 86,05. Quem faz os dois, R$ 87,05. Escolha com atenção — trocar depois é possível, mas dá trabalho.

Não sabe qual CNAE escolher? Veja nosso guia de como escolher CNAE do MEI ou consulte a lista completa de atividades.

Depois do CNAE, o sistema pergunta onde você atua:

  • Em casa
  • Em endereço comercial
  • Como ambulante
  • Porta a porta
  • Pela internet

Marque a opção que corresponde à realidade do seu negócio. Isso afeta o alvará é a fiscalização municipal. Se trabalha em casa e também vende pela internet, pode marcar as duas opções.

Um ponto que muita gente ignora: o endereço comercial informado no cadastro vai aparecer no cartão CNPJ, que é documento público. Se trabalha em casa e não quer expor seu endereço residencial, considere isso antes de preencher.

Passo 5 — Confirmar e receber o CNPJ

Revise tudo na tela de confirmação. Clique em “Confirmar”. Pronto: o sistema gera seu CNPJ na hora e emite o CCMEI (Certificado de Condição de Microempreendedor Individual).

O CCMEI é o documento que comprova sua inscrição. Ele tem o CNPJ, o número de registro na Junta Comercial e funciona como alvará provisório — você não precisa correr atrás de licença separada para começar a operar (Gov.br, 2026).

Salve o PDF. Imprima se quiser. Você vai precisar dele para abrir conta PJ no banco.

O CCMEI pode ser reemitido a qualquer momento no Portal do Empreendedor, de graça. Perdeu o arquivo? Entra no portal, faz login, e baixa de novo em “Emissão de Comprovante (CCMEI)”.

Quanto custa ser MEI

Abrir: zero. O cadastro é 100% gratuito. Se alguém cobrar para abrir seu MEI, é golpe.

Manter: entre R$ 82,05 e R$ 87,05 por mês. Esse é o DAS — a guia de impostos do Simples Nacional que inclui INSS, ISS e ICMS numa tacada só.

Tabela comparativa dos custos mensais do MEI em 2026: comércio R$ 82,05, serviços R$ 86,05, comércio e serviços R$ 87,05
Os valores do DAS-MEI 2026 já incluem INSS. Não existe anuidade nem taxa extra.

O valor base de R$ 81,05 é 5% do salário mínimo (R$ 1.621,00 em 2026) e vai direto para o INSS. O restante é imposto estadual (ICMS) ou municipal (ISS), dependendo da atividade.

Quer simular o valor exato para a sua atividade? Use o simulador de DAS.

O pagamento é feito via DAS — uma guia única gerada no site do Simples Nacional. Pode pagar no banco, no app, por Pix (usando o QR Code da guia) ou por débito automático. Se esquecer um mês, a multa é pequena (0,33% ao dia), mas acumular DAS atrasado pode gerar problemas sérios — inclusive inscrição na dívida ativa.

O que fazer depois de abrir o MEI

CNPJ na mão é só o começo. Nos primeiros dias, cuide dessas tarefas:

Abrir conta PJ — Bancos digitais como Nubank, Inter e Cora abrem conta MEI em minutos. Você vai precisar do CCMEI. Separar finanças pessoais das do negócio desde o dia um evita dor de cabeça com a Receita.

Emitir nota fiscal — MEI emite NFS-e (Nota Fiscal de Serviço eletrônica) pelo sistema nacional da Receita Federal. Para venda de produtos, o processo varia por estado. A emissão é gratuita.

Pagar o DAS todo mês — O boleto fica disponível no PGMEI a partir do dia 1. Vencimento: dia 20 de cada mês. Atraso gera multa de 0,33% ao dia, mais juros Selic.

Fazer a DASN-SIMEI — Todo ano, até 31 de maio, você declara o faturamento bruto do ano anterior. É a declaração anual do MEI. Simples, gratuita é obrigatória. Saiba mais em obrigações do MEI.

Registrar funcionário (se tiver) — MEI pode ter um empregado. Se contratar, precisa fazer eSocial e recolher FGTS e INSS do funcionário.

Guardar comprovantes — Mesmo sem obrigação de escrituração contábil, o MEI precisa manter o controle mensal de faturamento. Pode ser numa planilha simples. A Receita pode pedir comprovação a qualquer momento nos últimos 5 anos.

Consultar exigências municipais — Dependendo da atividade e do município, pode ser necessário obter alvará definitivo, licença sanitária (Vigilância Sanitária) ou registro em órgão regulador. O CCMEI funciona como alvará provisório, mas alguns setores exigem mais.

Erros comuns ao abrir MEI (e como evitar)

Escolher CNAE errado — O código da atividade define impostos, obrigações acessórias e até se você pode emitir nota fiscal para determinado serviço. Trocar depois é possível pelo portal, mas enquanto não trocar, o CNAE errado pode gerar problemas com o fisco. Pesquise antes de clicar.

Colocar endereço residencial sem pensar — O endereço do MEI é público. Qualquer pessoa pode consultar no cartão CNPJ. Se trabalha em casa e não quer o mundo sabendo onde mora, avalie as consequências.

Ignorar o DAS — Muita gente abre o MEI é esquece de pagar a guia mensal. Depois de 12 meses sem pagamento e sem declaração anual, a Receita pode cancelar o CNPJ. E os meses em atraso continuam gerando dívida — com multa e juros.

Pagar alguém para abrir — A abertura é 100% gratuita no Gov.br. Existem sites que cobram R$ 100, R$ 200 para “facilitar” o processo. Não caia nessa. O cadastro leva 15 minutos e qualquer pessoa com conta Gov.br consegue fazer sozinha.

Perguntas frequentes sobre abrir MEI

Preciso de contador para abrir MEI? Não. O processo é feito por você, direto no Gov.br. Contador é opcional e só faz sentido se sua operação for mais complexa.

Funcionário público pode ser MEI? Servidor federal, não. Servidor estadual ou municipal depende da legislação do órgão. Confira com o RH antes.

Posso abrir MEI com nome sujo? Sim. Restrição no CPF (Serasa, SPC) não impede a formalização. O Gov.br não consulta bureaus de crédito.

O MEI tem válidade? Não. O CNPJ fica ativo até você dar baixa ou ser desenquadrado. Mas se parar de pagar o DAS por 12 meses e não entregar a DASN-SIMEI, a Receita pode cancelar sua inscrição.

Quanto tempo leva para abrir? Se a conta Gov.br já está validada (Prata ou Ouro), o cadastro inteiro leva de 5 a 15 minutos. O CNPJ sai na hora — sem esperar dias. Segundo o Mapa de Empresas (Gov.br, 2024), a média de abertura de MEI foi de 2 horas, considerando quem ainda precisou validar a conta.

Consigo abrir MEI pelo celular? Sim. O Portal do Empreendedor funciona no navegador do celular. Também dá para fazer pelo app Gov.br.

Aposentado pode abrir MEI? Sim. Aposentado por idade ou por tempo de contribuição pode ser MEI sem perder o benefício. A exceção é aposentadoria por invalidez: ao se formalizar como MEI, o INSS pode entender que você recuperou a capacidade de trabalho e cancelar o benefício.

Quem recebe Bolsa Família pode ser MEI? Pode. Mas se o faturamento mensal ultrapassar meio salário mínimo por pessoa na família, o benefício pode ser cortado. Fique de olho no limite.

Posso ter dois MEIs? Não. Cada CPF pode ter apenas um CNPJ de MEI. Se precisar de mais de uma atividade, cadastre como atividade secundária (até 15 permitidas).

O que acontece se ultrapassar R$ 81 mil de faturamento? Se exceder até 20% (ou seja, até R$ 97.200), você será desenquadrado como MEI a partir de janeiro do ano seguinte e passará a ser Microempresa. Se exceder mais de 20%, o desenquadramento é retroativo ao início do ano — e as regras tributárias mudam na hora.

Resumo: checklist para abrir MEI

  1. Confirme que você atende aos requisitos (faturamento, atividade, sem sócio).
  2. Tenha em mãos: CPF, RG, título de eleitor ou recibo IRPF, CEP.
  3. Crie ou valide conta Gov.br nível Prata ou Ouro.
  4. Acesse gov.br/mei e clique em “Formalize-se”.
  5. Preencha dados, escolha CNAE, confirme.
  6. Salve o CCMEI (certificado com seu CNPJ).
  7. Abra conta PJ, comece a emitir notas e pague o DAS todo mês.

Pronto. Você saiu da informalidade sem gastar um centavo. O próximo passo é conhecer suas obrigações do MEI para não ter surpresa com a Receita Federal.

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