Pular para o conteúdo
MEI Explicado
Simular DAS
abertura 9 min de leitura

CNAE do MEI: como escolher a atividade certa, quantas pode ter e o que muda no DAS

CNAE do MEI: como escolher entre 460+ atividades, diferença entre principal e secundária, impacto no valor do DAS e como alterar depois.

Rodrigo Freitas

Rodrigo Freitas

Engenheiro (UNESP) · CPA-20 (ANBIMA) · Cofundador de fintech · 20+ anos em tecnologia financeira

Empreendedora brasileira em bancada de trabalho consultando lista no celular, ferramentas e produtos ao redor, iluminação natural
Escolher o CNAE certo na abertura evita dor de cabeça com nota fiscal e DAS depois

CNAE é o código de 7 dígitos que classifica a atividade econômica do seu MEI. Ele determina quanto você paga de DAS por mês, quais notas fiscais pode emitir e até se a prefeitura libera seu alvará. Em 2026 existem 467 ocupações permitidas. Você escolhe 1 principal e até 15 secundárias direto no Portal do Empreendedor. Errou? Dá pra trocar de graça, sem fechar o CNPJ.

O que é CNAE é por que o MEI precisa saber disso

CNAE significa Classificação Nacional de Atividades Econômicas. É um sistema numérico criado pelo IBGE (a Concla, específicamente) que mapeia toda atividade produtiva do país.

Todo CNPJ no Brasil tem pelo menos um CNAE. No caso do MEI, os códigos permitidos estão listados no Anexo XI da Resolução CGSN 140/2018 — o documento oficial que regulamenta o Simples Nacional.

Na prática, o CNAE do seu MEI funciona como uma etiqueta. Ele diz pro governo, pra prefeitura e pros seus clientes: “essa pessoa faz X”. Se a etiqueta não bate com o que você faz de verdade, a nota fiscal é recusada, o alvará pode ser negado e a Receita pode cobrar diferença de imposto.

Quantas atividades o MEI pode ter

O limite é claro:

  • 1 atividade principal — aquela que mais gera receita
  • Até 15 atividades secundárias — complementares ao negócio

Isso dá um teto de 16 CNAEs no mesmo CNPJ. Não precisa usar todas. A maioria dos MEIs registra entre 1 e 5.

As atividades não precisam ser do mesmo ramo. Você pode ser cabeleireiro (principal) e vender cosméticos (secundária). Ou ser eletricista (principal) e fazer pequenos reparos hidráulicos (secundária).

A regra é: tudo que você cadastrar precisa estar na lista oficial de atividades permitidas.

Principal vs. secundária: o que muda na prática

A atividade principal é a que aparece no seu CCMEI (Certificado da Condição de Microempreendedor Individual). É ela que define:

  • O enquadramento tributário — se você paga ICMS, ISS ou ambos
  • O valor do DAS mensal — R$ 82,05, R$ 86,05 ou R$ 87,05
  • A classificação para emissão de nota fiscal — o código de tributação nacional

As secundárias aparecem no cadastro, mas não alteram o DAS. O DAS é calculado pela atividade principal.

Essa distinção parece burocrática, mas tem consequência direta no bolso. Um MEI que vende roupas (comércio) paga R$ 82,05. Se ele colocar “serviço de costura” como principal em vez de “comércio de vestuário”, o DAS sobe pra R$ 86,05. São R$ 4 por mês, R$ 48 por ano.

Como o CNAE afeta o valor do DAS

O DAS do MEI em 2026 é composto por INSS + imposto da atividade. O INSS é sempre 5% do salário mínimo (R$ 81,05 em 2026). O que varia é o imposto:

Tipo de atividadeINSSImpostoTotal DAS
Comércio ou IndústriaR$ 81,05R$ 1,00 (ICMS)R$ 82,05
Prestação de ServiçoR$ 81,05R$ 5,00 (ISS)R$ 86,05
Comércio + ServiçoR$ 81,05R$ 1,00 + R$ 5,00R$ 87,05
Infográfico mostrando composição do DAS MEI por tipo de CNAE: comércio R$82,05, serviço R$86,05, ambos R$87,05
A diferença entre pagar R$ 82,05 ou R$ 87,05 por mês depende exclusivamente do CNAE principal

Se a sua atividade principal for de comércio (ex: venda de roupas), o DAS inclui ICMS. Se for de serviço (ex: cabeleireiro), inclui ISS. Se o CNAE for classificado como comércio E serviço (ex: lanchonete que vende e prepara), paga os dois.

Use o simulador de DAS pra calcular o valor exato antes de abrir.

Os 10 CNAEs mais populares entre MEIs

Esses são os códigos que mais aparecem nos registros do Portal do Empreendedor:

Tabela com os 10 CNAEs mais registrados entre MEIs: cabeleireiro, comerciante de roupas, lanchonete, minimercado, manicure, mecânico, transportador, açougueiro, pintor, marceneiro
Cabeleireiro lidera há anos. Serviços dominam o ranking — 7 dos 10 mais populares são de prestação de serviço

Perceba o padrão: atividades manuais e de atendimento direto dominam. São negócios que exigem pouco capital inicial, operam com estrutura enxuta e atendem demanda local.

Se a sua atividade aparece nessa lista, ótimo — o caminho é bem pavimentado. Se não aparece, consulte a lista completa de atividades pra verificar se o seu CNAE é permitido.

Passo a passo pra escolher o CNAE certo

Sem firula. Faça nessa ordem:

1. Liste o que você realmente faz (ou vai fazer)

Escreva em linguagem simples. “Conserto celulares.” “Vendo bolos por encomenda.” “Faço design gráfico.” Não se preocupe com o código ainda.

2. Pesquise na lista oficial

Acesse a página de ocupações permitidas do gov.br e procure termos relacionados à sua atividade. A busca é por nome da ocupação, não por código.

3. Leia a descrição completa no site do IBGE

O nome da ocupação no Portal do Empreendedor é resumido. Antes de decidir, abra o buscador de CNAE da Concla/IBGE e leia as notas explicativas do código. Ali explica exatamente o que entra e o que não entra naquele CNAE.

4. Defina o que é principal e o que é secundário

A regra prática: o que gera mais faturamento é o principal. O resto é secundário.

5. Confira o impacto no DAS

Atividade de comércio, serviço ou ambos? Isso define se você paga ICMS (R$ 1), ISS (R$ 5) ou os dois (R$ 6) além do INSS.

6. Abra o MEI com os códigos escolhidos

No momento do cadastro no Portal do Empreendedor, você seleciona a ocupação principal e as secundárias. O sistema já filtra só as permitidas pro MEI. Veja o guia completo de como abrir o MEI.

5 erros que travam MEI na hora do CNAE

Erros de CNAE são mais comuns do que parecem — e mais caros do que a galera imagina.

Erro 1: Escolher o CNAE “mais próximo” sem verificar

Programador web não é a mesma coisa que técnico de informática. Se você escolhe um CNAE parecido mas diferente do que realmente faz, a nota fiscal pode ser recusada pela prefeitura.

Erro 2: Colocar atividade intelectual como MEI

Médicos, advogados, engenheiros, contadores, psicólogos — profissões regulamentadas por conselho de classe não podem ser MEI. Tentar cadastrar um CNAE genérico pra “disfarçar” a atividade é fraude fiscal.

Erro 3: Ignorar a diferença entre CNAE e Código de Tributação Nacional

Na hora de emitir nota fiscal de serviço (NFS-e), a prefeitura pede o Código de Tributação Nacional, não o CNAE. São coisas diferentes. O código de tributação precisa corresponder ao serviço prestado naquela nota específica — e esse serviço precisa estar coberto pelo CNAE que você registrou.

Erro 4: Nunca atualizar o CNAE

Você abriu como vendedor de açaí e hoje faz marmita fit. O CNAE antigo continua lá. Resultado: nota fiscal incompatível, possível autuação e multa que pode chegar a 225% do imposto devido.

Erro 5: Achar que mais CNAEs = mais imposto

Cadastrar 15 atividades secundárias não aumenta o DAS. O imposto é fixo é calculado pela atividade principal. As secundárias só ampliam o leque de notas fiscais que você pode emitir.

Sua atividade não está na lista? Veja o que fazer

Se a ocupação que você precisa não aparece entre as 467 permitidas, você tem três caminhos:

  1. Verifique ocupações similares — Às vezes a nomenclatura oficial é diferente do que você usa no dia a dia. “Youtuber” não existe, mas “editor de vídeos” e “produtor de conteúdo” sim.

  2. Considere abrir como ME — Microempresa (ME) pelo Simples Nacional aceita práticamente qualquer atividade. Paga mais imposto, mas tem limite de faturamento de R$ 360 mil/ano e pode contratar até 9 funcionários.

  3. Aguarde atualizações — O Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) revisa a lista periodicamente. Profissões são incluídas e excluídas a cada resolução. Em 2025 houve mudanças relevantes.

Como alterar o CNAE depois de abrir o MEI

Escolheu errado? Mudou de ramo? O processo é simples, gratuito e online:

  1. Acesse o Portal do Empreendedor — Alteração de Dados
  2. Faça login com sua conta gov.br (nível prata ou ouro)
  3. Vá até a seção “Atividades”
  4. Altere a ocupação principal e/ou as secundárias
  5. Confirme e imprima o novo CCMEI

A alteração é imediata. Não precisa pagar nada, não precisa de contador, não precisa ir em nenhum lugar. Mais detalhes no guia de como alterar a atividade do MEI.

Atenção: se a nova atividade principal mudar o tipo (de comércio pra serviço, por exemplo), o valor do DAS muda no mês seguinte.

Perguntas frequentes sobre CNAE e MEI

Posso ter CNAE de comércio e serviço ao mesmo tempo? Sim. Você pode misturar tipos. Se a principal for comércio e alguma secundária for serviço (ou vice-versa), o DAS será calculado pelo enquadramento da atividade principal.

O número de CNAEs secundários afeta o limite de faturamento? Não. O limite de R$ 81.000/ano continua o mesmo, independente de quantas atividades você registre.

Preciso de contador pra escolher o CNAE? Não é obrigatório, mas se você tem dúvida entre dois códigos parecidos, 30 minutos com um contador evitam meses de dor de cabeça. O Sebrae também oferece orientação gratuita.

Se eu emitir nota com CNAE errado, o que acontece? No melhor cenário, a nota é rejeitada pelo sistema. No pior, a Receita Federal identifica a divergência e aplica multa de 75% a 225% do imposto devido, com possibilidade de exclusão do Simples Nacional por até 3 anos.

MEI pode ter dois CNAEs principais? Não. Só existe um CNAE principal por CNPJ. Os demais são obrigatóriamente secundários.

cnaeatividades meiaberturadas