Estrangeiro pode abrir MEI no Brasil: tipos de visto, CPF, CRNM e o passo a passo completo
Estrangeiro pode abrir MEI com CPF e visto de residência permanente ou temporário com autorização de trabalho. Veja requisitos e passo a passo.
Engenheiro (UNESP) · CPA-20 (ANBIMA) · Cofundador de fintech · 20+ anos em tecnologia financeira
Sim, o MEI estrangeiro existe e funciona. Qualquer pessoa de fora do Brasil pode abrir MEI no país, desde que cumpra três requisitos: ter CPF ativo, possuir visto que autorize trabalho (permanente, temporário com autorização ou refúgio) e apresentar a Carteira Nacional de Registro Migratório (CRNM) ou documento equivalente emitido pela Polícia Federal. Turista com visto de visitante não pode. O cadastro é gratuito, online e leva os mesmos 15 minutos que qualquer brasileiro gasta no Portal do Empreendedor.
E os números mostram que cada vez mais gente descobre isso: em 2025, o Brasil bateu recorde com 85.433 MEIs estrangeiros ativos — crescimento de 99% em relação a 2019, segundo o Sebrae. Venezuelanos lideram (16%), seguidos por bolivianos (13%) e colombianos. São Paulo concentra quase 33 mil desses empreendedores.
Quem pode e quem não pode: a regra do visto
Tudo gira em torno do tipo de visto. O critério é simples: se o seu visto autoriza trabalho em território brasileiro, você pode ser MEI. Se não autoriza, não pode.
Visto de residência permanente — pode abrir MEI. É o caso mais direto. Com a CRNM definitiva em mãos, o processo é idêntico ao de um brasileiro.
Visto temporário com autorização de trabalho — pode abrir MEI. Desde que a autorização de residência laboral esteja ativa, o Portal do Empreendedor aceita o cadastro. A Lei de Migração (Lei 13.445/2017) garante ao imigrante regular os mesmos direitos trabalhistas de um cidadão brasileiro.
Refúgio — pode abrir MEI. Solicitantes de refúgio e refugiados reconhecidos pelo CONARE têm direito ao trabalho formal. O documento aceito é o Protocolo de Solicitação de Refúgio (PSR) ou o DPRNM (Documento Provisório de Registro Nacional Migratório), ambos emitidos pela Polícia Federal.
Acolhida humanitária — pode abrir MEI. Imigrantes com visto humanitário (caso de muitos venezuelanos e haitianos) recebem autorização de residência que permite trabalho. O documento é o DPRNM, emitido pela Polícia Federal.
Visto de turista (visitante) — não pode. Ponto final. Visto de turista não autoriza nenhuma atividade remunerada no Brasil. Se você está aqui a turismo e quer empreender, o primeiro passo é regularizar sua situação migratória — solicitar visto temporário com autorização de trabalho ou, se for o caso, pedir refúgio.
Primeiro passo: tirar o CPF na Receita Federal
Sem CPF, nada acontece. Nem conta Gov.br você consegue criar. Se você ainda não tem, existem três caminhos:
No Brasil — vá a uma unidade da Receita Federal com passaporte e documento migratório (CRNM, DPRNM ou protocolo de refúgio). O serviço é gratuito.
No exterior — procure o consulado ou embaixada do Brasil no seu país. A inscrição é feita presencialmente pelo sistema e-Consular.
Online — em alguns casos, a Receita Federal aceita pedidos digitais. Acesse o portal de CPF para estrangeiros e verifique se o seu perfil se enquadra.
Depois de obter o CPF, confirme que a situação está “Regular” no site da Receita. CPF pendente ou cancelado trava o cadastro do MEI na primeira tela.
Segundo passo: CRNM ou documento migratório válido
O Portal do Empreendedor aceita três documentos de identificação para estrangeiros:
CRNM (Carteira Nacional de Registro Migratório) — substituiu o antigo RNE em 2017. É emitida pela Polícia Federal e vale por 9 anos. Funciona como o RG dos brasileiros.
DPRNM (Documento Provisório de Registro Nacional Migratório) — para quem ainda aguarda a emissão da CRNM definitiva. Válido por 1 ano, renovável.
Protocolo de Solicitação de Refúgio (PSR) — documento provisório que garante direitos ao solicitante de refúgio enquanto o CONARE analisa o pedido. Precisa ser renovado anualmente.
Se o seu RNE antigo ainda não foi trocado pela CRNM, vá a uma unidade da Polícia Federal com seus documentos para fazer a atualização. O sistema do Gov.br pode não reconhecer o RNE antigo.
Terceiro passo: criar conta Gov.br
O cadastro do MEI é feito pelo Gov.br. Você precisa criar uma conta e elevar o nível de segurança.
Aqui tem uma diferença para estrangeiros: o Portal do Empreendedor aceita conta Gov.br nível bronze para quem não tem CPF brasileiro nato. Brasileiros precisam de prata ou ouro. Essa exceção facilita o acesso de imigrantes que não conseguem validar biometria facial pela CNH (que não possuem).
Na prática: crie a conta com CPF + senha, informe seus dados e pronto. Se conseguir subir para prata ou ouro via internet banking, melhor — menos dados serão pedidos no formulário.
Quarto passo: formalização no Portal do Empreendedor
Com CPF, documento migratório e conta Gov.br, o passo a passo é igual ao de qualquer brasileiro. Se quiser o tutorial tela por tela, leia o guia como abrir MEI pelo Gov.br.
Resumo rápido:
- Acesse o Portal do Empreendedor e clique em “Quero ser MEI” → “Formalize-se”
- Faça login com sua conta Gov.br
- Confirme dados pessoais — aqui o sistema vai pedir seu país de origem e número do documento migratório (CRNM, DPRNM ou PSR)
- Escolha a atividade CNAE do seu negócio (1 principal + até 15 secundárias)
- Informe endereço de atuação e forma de operação (porta a porta, internet, estabelecimento fixo)
- Aceite as declarações obrigatórias
- Pronto: CNPJ gerado na hora e CCMEI disponível para download
O custo mensal é o DAS — entre R$ 75,90 e R$ 81,90 em 2026, dependendo da atividade. Mesma alíquota para brasileiros e estrangeiros.
Documentos: o que preparar antes de começar
A lista completa para estrangeiro abrir MEI:
- CPF com situação regular na Receita Federal
- CRNM, DPRNM ou Protocolo de Refúgio (emitidos pela Polícia Federal)
- Conta Gov.br ativa (nível bronze ou superior)
- Endereço no Brasil com CEP (residencial ou comercial)
- E-mail e celular funcionando
- Última declaração de IR (se declarou) ou comprovante de endereço
Para a lista geral de documentos para abrir MEI, incluindo o que brasileiro precisa, veja o artigo dedicado.
Dúvidas comuns de estrangeiros sobre o MEI
Preciso de procurador? Não para o MEI. A exigência de procurador legal residente no Brasil existe para outros tipos societários (LTDA, S.A.), mas o MEI dispensa esse requisito.
Posso emitir nota fiscal? Pode. O MEI estrangeiro tem os mesmos direitos de qualquer microempreendedor — NFS-e para serviço e nota de produto para comércio.
Meu visto venceu. E agora? Se o visto ou a CRNM vencer, regularize antes de continuar operando. O CNPJ não é cancelado automaticamente, mas você pode ter problemas na renovação do DAS é na declaração anual.
Venezuelanos, haitianos e bolivianos têm regras diferentes? Não. A regra é a mesma para todas as nacionalidades. O que muda é o tipo de documento — venezuelanos com visto de acolhida humanitária, por exemplo, usam o DPRNM. Aliás, venezuelanos são a maior comunidade estrangeira no MEI (quase 16% do total), seguidos por bolivianos e colombianos.
Posso contratar um funcionário? Sim, um funcionário com remuneração de um salário mínimo ou piso da categoria. A mesma regra dos brasileiros.
O que fazer depois de abrir o MEI
O CCMEI na mão é só o começo. Os próximos passos são os mesmos de qualquer microempreendedor:
- Pagar o DAS todo mês — boleto gerado no PGMEI, vencimento dia 20. Atraso gera multa de 0,33% ao dia + juros Selic.
- Emitir nota fiscal quando prestar serviço para empresa (pessoa física é opcional). A NFS-e nacional facilita.
- Fazer a DASN-SIMEI — a declaração anual de faturamento, entregue todo ano até 31 de maio. Gratuita é feita online.
- Respeitar o teto de R$ 81.000/ano — se ultrapassar, precisa migrar para Microempresa.
Para o tutorial completo desses passos, leia o guia como abrir MEI.
O MEI não faz distinção de nacionalidade. Se você tem CPF, documento migratório válido e uma atividade nas 467 ocupações do Anexo XI, está no jogo. Formalizar o que você já faz te dá CNPJ, acesso a conta PJ, possibilidade de emitir nota e cobertura previdenciária do INSS — pelos mesmos R$ 75,90/mês que qualquer brasileiro paga.