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MEI Explicado
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Estrangeiro pode abrir MEI no Brasil: tipos de visto, CPF, CRNM e o passo a passo completo

Estrangeiro pode abrir MEI com CPF e visto de residência permanente ou temporário com autorização de trabalho. Veja requisitos e passo a passo.

Rodrigo Freitas

Rodrigo Freitas

Engenheiro (UNESP) · CPA-20 (ANBIMA) · Cofundador de fintech · 20+ anos em tecnologia financeira

Vista aérea de bairro comercial diverso em São Paulo com lojas coloridas, pedestres e bandeira brasileira
O Brasil já tem mais de 85 mil estrangeiros formalizados como MEI

Sim, o MEI estrangeiro existe e funciona. Qualquer pessoa de fora do Brasil pode abrir MEI no país, desde que cumpra três requisitos: ter CPF ativo, possuir visto que autorize trabalho (permanente, temporário com autorização ou refúgio) e apresentar a Carteira Nacional de Registro Migratório (CRNM) ou documento equivalente emitido pela Polícia Federal. Turista com visto de visitante não pode. O cadastro é gratuito, online e leva os mesmos 15 minutos que qualquer brasileiro gasta no Portal do Empreendedor.

E os números mostram que cada vez mais gente descobre isso: em 2025, o Brasil bateu recorde com 85.433 MEIs estrangeiros ativos — crescimento de 99% em relação a 2019, segundo o Sebrae. Venezuelanos lideram (16%), seguidos por bolivianos (13%) e colombianos. São Paulo concentra quase 33 mil desses empreendedores.

Quem pode e quem não pode: a regra do visto

Tudo gira em torno do tipo de visto. O critério é simples: se o seu visto autoriza trabalho em território brasileiro, você pode ser MEI. Se não autoriza, não pode.

Visto de residência permanente — pode abrir MEI. É o caso mais direto. Com a CRNM definitiva em mãos, o processo é idêntico ao de um brasileiro.

Visto temporário com autorização de trabalho — pode abrir MEI. Desde que a autorização de residência laboral esteja ativa, o Portal do Empreendedor aceita o cadastro. A Lei de Migração (Lei 13.445/2017) garante ao imigrante regular os mesmos direitos trabalhistas de um cidadão brasileiro.

Refúgio — pode abrir MEI. Solicitantes de refúgio e refugiados reconhecidos pelo CONARE têm direito ao trabalho formal. O documento aceito é o Protocolo de Solicitação de Refúgio (PSR) ou o DPRNM (Documento Provisório de Registro Nacional Migratório), ambos emitidos pela Polícia Federal.

Acolhida humanitária — pode abrir MEI. Imigrantes com visto humanitário (caso de muitos venezuelanos e haitianos) recebem autorização de residência que permite trabalho. O documento é o DPRNM, emitido pela Polícia Federal.

Visto de turista (visitante) — não pode. Ponto final. Visto de turista não autoriza nenhuma atividade remunerada no Brasil. Se você está aqui a turismo e quer empreender, o primeiro passo é regularizar sua situação migratória — solicitar visto temporário com autorização de trabalho ou, se for o caso, pedir refúgio.

Tipo de Visto x Permissao para Abrir MEI Tipo de Visto Pode ser MEI? Documento Aceito Residencia Permanente Sim CRNM definitiva Temporario c/ autorização Sim CRNM ou DPRNM Refugio (reconhecido ou solicitante) Sim PSR, DPRNM ou CRNM Acolhida Humanitaria Sim DPRNM Turista / Visitante Não Nenhum (sem permissao) Fonte: Portal do Empreendedor (Gov.br) e Lei de Migracao 13.445/2017

Primeiro passo: tirar o CPF na Receita Federal

Sem CPF, nada acontece. Nem conta Gov.br você consegue criar. Se você ainda não tem, existem três caminhos:

No Brasil — vá a uma unidade da Receita Federal com passaporte e documento migratório (CRNM, DPRNM ou protocolo de refúgio). O serviço é gratuito.

No exterior — procure o consulado ou embaixada do Brasil no seu país. A inscrição é feita presencialmente pelo sistema e-Consular.

Online — em alguns casos, a Receita Federal aceita pedidos digitais. Acesse o portal de CPF para estrangeiros e verifique se o seu perfil se enquadra.

Depois de obter o CPF, confirme que a situação está “Regular” no site da Receita. CPF pendente ou cancelado trava o cadastro do MEI na primeira tela.

Segundo passo: CRNM ou documento migratório válido

O Portal do Empreendedor aceita três documentos de identificação para estrangeiros:

CRNM (Carteira Nacional de Registro Migratório) — substituiu o antigo RNE em 2017. É emitida pela Polícia Federal e vale por 9 anos. Funciona como o RG dos brasileiros.

DPRNM (Documento Provisório de Registro Nacional Migratório) — para quem ainda aguarda a emissão da CRNM definitiva. Válido por 1 ano, renovável.

Protocolo de Solicitação de Refúgio (PSR) — documento provisório que garante direitos ao solicitante de refúgio enquanto o CONARE analisa o pedido. Precisa ser renovado anualmente.

Se o seu RNE antigo ainda não foi trocado pela CRNM, vá a uma unidade da Polícia Federal com seus documentos para fazer a atualização. O sistema do Gov.br pode não reconhecer o RNE antigo.

Terceiro passo: criar conta Gov.br

O cadastro do MEI é feito pelo Gov.br. Você precisa criar uma conta e elevar o nível de segurança.

Aqui tem uma diferença para estrangeiros: o Portal do Empreendedor aceita conta Gov.br nível bronze para quem não tem CPF brasileiro nato. Brasileiros precisam de prata ou ouro. Essa exceção facilita o acesso de imigrantes que não conseguem validar biometria facial pela CNH (que não possuem).

Na prática: crie a conta com CPF + senha, informe seus dados e pronto. Se conseguir subir para prata ou ouro via internet banking, melhor — menos dados serão pedidos no formulário.

Quarto passo: formalização no Portal do Empreendedor

Com CPF, documento migratório e conta Gov.br, o passo a passo é igual ao de qualquer brasileiro. Se quiser o tutorial tela por tela, leia o guia como abrir MEI pelo Gov.br.

Resumo rápido:

  1. Acesse o Portal do Empreendedor e clique em “Quero ser MEI” → “Formalize-se”
  2. Faça login com sua conta Gov.br
  3. Confirme dados pessoais — aqui o sistema vai pedir seu país de origem e número do documento migratório (CRNM, DPRNM ou PSR)
  4. Escolha a atividade CNAE do seu negócio (1 principal + até 15 secundárias)
  5. Informe endereço de atuação e forma de operação (porta a porta, internet, estabelecimento fixo)
  6. Aceite as declarações obrigatórias
  7. Pronto: CNPJ gerado na hora e CCMEI disponível para download

O custo mensal é o DAS — entre R$ 75,90 e R$ 81,90 em 2026, dependendo da atividade. Mesma alíquota para brasileiros e estrangeiros.

Passo a passo: estrangeiro abrindo MEI 1 CPF Receita Federal ou consulado 2 CRNM Polícia Federal (ou DPRNM/PSR) 3 Conta Gov.br Nível bronze é suficiente 4 CNPJ MEI Portal do Empreendedor gratuito ~30 dias 15 min Tempo total estimado: 30–60 dias (maior parte é espera do documento migratório)

Documentos: o que preparar antes de começar

A lista completa para estrangeiro abrir MEI:

  • CPF com situação regular na Receita Federal
  • CRNM, DPRNM ou Protocolo de Refúgio (emitidos pela Polícia Federal)
  • Conta Gov.br ativa (nível bronze ou superior)
  • Endereço no Brasil com CEP (residencial ou comercial)
  • E-mail e celular funcionando
  • Última declaração de IR (se declarou) ou comprovante de endereço

Para a lista geral de documentos para abrir MEI, incluindo o que brasileiro precisa, veja o artigo dedicado.

Dúvidas comuns de estrangeiros sobre o MEI

Preciso de procurador? Não para o MEI. A exigência de procurador legal residente no Brasil existe para outros tipos societários (LTDA, S.A.), mas o MEI dispensa esse requisito.

Posso emitir nota fiscal? Pode. O MEI estrangeiro tem os mesmos direitos de qualquer microempreendedor — NFS-e para serviço e nota de produto para comércio.

Meu visto venceu. E agora? Se o visto ou a CRNM vencer, regularize antes de continuar operando. O CNPJ não é cancelado automaticamente, mas você pode ter problemas na renovação do DAS é na declaração anual.

Venezuelanos, haitianos e bolivianos têm regras diferentes? Não. A regra é a mesma para todas as nacionalidades. O que muda é o tipo de documento — venezuelanos com visto de acolhida humanitária, por exemplo, usam o DPRNM. Aliás, venezuelanos são a maior comunidade estrangeira no MEI (quase 16% do total), seguidos por bolivianos e colombianos.

Posso contratar um funcionário? Sim, um funcionário com remuneração de um salário mínimo ou piso da categoria. A mesma regra dos brasileiros.

O que fazer depois de abrir o MEI

O CCMEI na mão é só o começo. Os próximos passos são os mesmos de qualquer microempreendedor:

  • Pagar o DAS todo mês — boleto gerado no PGMEI, vencimento dia 20. Atraso gera multa de 0,33% ao dia + juros Selic.
  • Emitir nota fiscal quando prestar serviço para empresa (pessoa física é opcional). A NFS-e nacional facilita.
  • Fazer a DASN-SIMEI — a declaração anual de faturamento, entregue todo ano até 31 de maio. Gratuita é feita online.
  • Respeitar o teto de R$ 81.000/ano — se ultrapassar, precisa migrar para Microempresa.

Para o tutorial completo desses passos, leia o guia como abrir MEI.

O MEI não faz distinção de nacionalidade. Se você tem CPF, documento migratório válido e uma atividade nas 467 ocupações do Anexo XI, está no jogo. Formalizar o que você já faz te dá CNPJ, acesso a conta PJ, possibilidade de emitir nota e cobertura previdenciária do INSS — pelos mesmos R$ 75,90/mês que qualquer brasileiro paga.

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